Depois de anos de espera, os fãs europeus finalmente terão a chance de reviver uma das aventuras mais épicas da franquia Dragon Quest. A Square Enix acaba de revelar um novo trailer para Dragon Quest VII Reimagined, um remake completo do título originalmente lançado para PlayStation 1. E, olha, as primeiras impressões são de que eles não estão apenas dando um polimento gráfico, mas sim reimaginando a experiência para uma nova geração.

Imagem promocional de Dragon Quest VII Reimagined mostrando personagens em um cenário fantástico

Mais do que um simples remake

O trailer recente vai além de mostrar apenas gráficos atualizados. É possível ver mudanças significativas no combate, que parece ter ganhado uma fluidez moderna, e nas animações dos personagens, que agora são muito mais expressivos. A sensação é que a Square Enix está tentando equilibrar a nostalgia com a acessibilidade. Afinal, o Dragon Quest VII original era conhecido por sua estrutura não-linear e por ser... bem, um jogo extremamente longo. Será que eles vão ajustar o ritmo para os padrões atuais? Essa é uma das grandes perguntas que o trailer levanta.

Na minha experiência, remakes de RPGs clássicos são um terreno delicado. Mude muito e você aliena os fãs de longa data; mude pouco e pode não atrair novos jogadores. O que me chamou a atenção foi a paleta de cores e a direção de arte, que parecem capturar o charme dos desenhos de Akira Toriyama enquanto entregam uma fidelidade visual que o hardware do PS1 só podia sonhar.

O legado de uma aventura esquecida

Para quem não viveu a era do PS1, o Dragon Quest VII original foi um marco. Lançado no Japão em 2000 e no Ocidente apenas em 2001, ele era uma aventura colossal focada na descoberta de ilhas perdidas no tempo. Sua narrativa fragmentada e seu sistema de classes profundo influenciaram muitos RPGs que vieram depois. No entanto, fora do Japão, ele sempre foi um título um tanto nichado, ofuscado por outros gigantes da época.

Este remake parece ser uma segunda chance para essa história. A decisão de trazê-lo oficialmente para a Europa (já que versões anteriores foram puladas ou tiveram lançamentos limitados) é significativa. Mostra um reconhecimento pela base de fãs que cresceu emulando o jogo ou importando cópias. É um aceno de respeito, e isso conta.

O que você acha? Remakes como este são a melhor forma de preservar jogos clássicos, ou parte da magia se perde na tradução para uma nova era? Enquanto aguardamos mais detalhes, uma coisa é certa: a jornada para restaurar o mundo de Dragon Quest VII está prestes a começar de novo para muitos. Para acompanhar as novidades direto da fonte, você pode conferir a matéria completa no Eurogamer Portugal.

O que esperar da jogabilidade modernizada

Além do óbvio salto visual, os detalhes mais sutis do trailer sugerem mudanças profundas na forma como interagimos com o mundo. O combate, que antes era estritamente por turnos com visão em primeira pessoa dos inimigos, agora parece ocorrer diretamente no campo de exploração, com uma câmera mais dinâmica. Isso é uma mudança e tanto, não é? Segue a tendência de títulos mais recentes da série, como Dragon Quest XI, e promete agilizar encontros que, no original, podiam ser um tanto repetitivos devido à imensa duração do jogo.

Mas será que essa fluidez vem com um custo? Parte do charme do VII estava justamente na sua meticulosidade, na necessidade de planejar cada movimento em batalhas difíceis. Torço para que a Square Enix mantenha essa essência estratégica enquanto remove a sensação de lentidão arcaica. Outro ponto que me deixa curioso é o sistema de classes, o "Panel of Life". Era incrivelmente profundo, permitindo combinações bizarras e poderosas. Uma modernização aqui poderia simplificar a interface confusa sem diluir a complexidade que os fãs adoram.

O desafio da narrativa fragmentada

Vamos falar da história, que é talvez o maior desafio deste remake. Dragon Quest VII não é uma narrativa linear. É uma coleção de contos, uma antologia de ilhas e eras que você restaura pouco a pouco. Cada fragmento é uma mini-história autoconclusiva, com seu próprio drama e personagens. É lindo, mas também pode ser desorientador. Para um jogador moderno, acostumado com arcos narrativos mais diretos e personagens companheiros constantes, essa estrutura pode parecer desconexa.

Como adaptar isso? Acredito que a chave estará na curadoria e no ritmo. Talvez introduzindo um fio condutor mais forte desde o início, ou dando mais destaque aos protagonistas mudos, fazendo com que suas reações (agora com expressões faciais, graças aos novos gráficos) criem uma ligação emocional que una os episódios. Seria um erro tentar forçar uma trama convencional onde não existe, mas também não se pode ignorar que os padrões de engajamento mudaram em 25 anos.

E não podemos esquecer do tom. O original tinha momentos de comédia pastelão típicos de Toriyama, mas também mergulhava em temas surpreendentemente sombrios e melancólicos – perda, solidão, o fim de civilizações inteiras. Preservar esse equilíbrio delicado entre leveza e peso será crucial para que o remake não se torne apenas uma versão "bonitinha" de algo que era, no fundo, profundamente reflexivo.

Falando em acessibilidade, rumores sugerem a inclusão de recursos de qualidade de vida que eram impensáveis na era do PS1. Um sistema de salvamento mais flexível (lembra-se de procurar igrejas?), dicas de objetivos mais claras para navegar pelo vasto mundo, e talvez até um modo que acelere as batalhas. Alguns puristas podem torcer o nariz, mas vamos ser honestos: a vida adulta não permite mais as maratonas de 100 horas da adolescência. Oferecer opções, sem tornar o jogo fácil demais, é o caminho sensato.

E você, o que mais espera ver neste reimaginado? Quais são os elementos do jogo original que você teme que sejam alterados ou, quem sabe, que você torce para que sejam melhorados? A discussão está apenas começando, e cada novo trailer certamente trará mais lenha para essa fogueira nostálgica. Enquanto isso, para uma análise técnica mais aprofundada das primeiras imagens, vale a pena dar uma olhada no breakdown feito pelo Destructoid.

Com informações do: Eurogamer.pt