Uma década após sua estreia triunfal, The Witcher 3: Wild Hunt parece não ter dito sua última palavra. Relatórios recentes de investidores, analisados por especialistas do mercado, acenderam um farol de esperança para os fãs: novos conteúdos para o jogo que já foi considerado completo podem estar a caminho. E, em paralelo, o tão aguardado próximo capítulo da saga – popularmente chamado de Witcher 4 – ganha um novo horizonte temporal. É uma notícia dupla que mexe com a comunidade, misturando nostalgia por um clássico com a ansiedade pelo futuro da franquia.
Vamos começar pelo que está mais próximo – ou menos distante, digamos assim. A informação veio à tona através de um relatório destinado a investidores da CD Projekt Red, a desenvolvedora polonesa por trás do sucesso. Nele, um analista sinaliza que um novo DLC (conteúdo para download) para The Witcher 3 está em desenvolvimento. Sim, você leu certo: para o jogo de 2015. Isso é, no mínimo, curioso. Afinal, o título já recebeu duas expansões monumentais (Hearts of Stone e Blood and Wine) que praticamente fecharam com chave de ouro a jornada de Geralt. Qual seria o propósito de voltar a esse poço agora?
O que um novo DLC poderia trazer para um jogo já completo?
Essa é a pergunta que não quer calar. Blood and Wine foi apresentado como o ponto final definitivo para a história do Lobo Branco. Então, o que sobra para contar? Algumas possibilidades vêm à mente, é claro. Talvez seja uma campanha menor, focada em um personagem secundário querido pelos fãs – uma aventura solo com Ciri, ou talvez com a feiticeira Yennefer. Ou quem sabe um conteúdo puramente cosmético, adicionando novas armaduras, cavalos ou até mesmo missões de contrato inéditas em áreas já existentes do mapa.
Mas, cá entre nós, a CD Projekt Red não é conhecida por fazer coisas pela metade. Se estão realmente dedicando recursos a um novo DLC para um jego de dez anos, é provável que seja algo significativo. Será que encontraram uma narrativa que valia a pena ser contada? Ou talvez estejam usando esse projeto como uma forma de testar tecnologias ou equipes para o próximo grande lançamento? A verdade é que o anúncio, se confirmado, quebra um paradigma na indústria. Raramente vemos suporte ativo de tão longo prazo para um jogo single-player, especialmente um que já foi tão amplamente celebrado como "completo".
E o Witcher 4? A longa espera tem uma nova data no horizonte
Enquanto a notícia do DLC acende uma chama próxima, o relatório também joga um balde de água fria – ou realismo – na expectativa pelo próximo jogo principal da série. O documento menciona que o projeto, internamente chamado de Polaris (e não oficialmente Witcher 4), está previsto para 2027. Isso significa um adiamento em relação às esperanças mais otimistas que circulavam na comunidade, que sonhavam com um lançamento em 2026.
Dois anos a mais de espera. Pode parecer muito, mas quando pensamos no escopo do que a CDPR precisa entregar, começa a fazer sentido. Eles estão construindo um novo jogo em uma engine completamente nova (a Unreal Engine 5, em parceria com a Epic Games), provavelmente com um protagonista diferente e um mundo ainda maior. Após os percalços do lançamento de Cyberpunk 2077, a empresa deixou claro que prioriza a qualidade e o polimento acima de prazos apertados. "Um jogo atrasado eventualmente se torna bom, mas um jogo ruim é ruim para sempre", a famosa frase de Shigeru Miyamoto, parece ter sido absorvida como um mantra em Varsóvia.
Então, o que temos? De um lado, um presente inesperado: a possibilidade de retornar a um mundo amado com conteúdo fresco, mantendo a comunidade engajada. Do outro, a confirmação de que a próxima grande aventura levará seu tempo para ser forjada. É uma estratégia interessante, não? Enquanto o futuro é construído com calma e precisão, o passado recebe um novo sopro de vida. Para os fãs, é como receber uma carta antiga de um velho amigo enquanto se aguarda sua próxima visita – ambas as notícias trazem uma forma diferente de alegria e expectativa. Resta agora aguardar a confirmação oficial da CD Projekt Red para separar os rumores da realidade.
Mas vamos pensar um pouco mais sobre esse possível DLC. A CD Projekt Red tem um histórico interessante com conteúdo pós-lançamento. Lembra do New Game+ que foi adicionado gratuitamente? Ou das inúmeras atualizações de qualidade de vida, incluindo a recente e massiva Next-Gen Update de 2022? Eles demonstraram um compromisso incomum com The Witcher 3, tratando-o menos como um produto finalizado e mais como um mundo vivo. Essa cultura de suporte prolongado pode ser a chave para entender o movimento.
Há também o fator Netflix. A popularidade da série live-action trouxe uma enxurrada de novos jogadores para o jogo. A sincronia entre as temporadas da série e picos de jogadores no Steam é notável. Não seria estratégico para a CDPR capitalizar nesse interesse renovado com algo tangível? Um DLC, mesmo que menor, serviria como uma ponte perfeita entre a série, o jogo antigo e o futuro Polaris. Mantém a marca relevante e aquecida no imaginário popular.
Rumores da comunidade: o que os fãs estão especulando?
Navegando por fóruns e comunidades, as teorias são das mais criativas. Alguns apontam para áreas do mapa que sempre pareceram subutilizadas, como as montanhas inacessíveis ao norte de Kaer Morhen. Seria uma nova região para explorar? Outros lembram de personagens cujas histórias tiveram finais ambíguos. Iorveth, o líder elfo scoia'tael de The Witcher 2, praticamente desapareceu no terceiro jogo. Uma missão envolvendo ele nas florestas de Teméria ou Redânia faria os fãs mais antigos entrarem em êxtase.
E não podemos ignorar os mods. A comunidade de modders já criou conteúdo incrível, desde missões complexas até revamps completos de sistemas de jogo. Será que a CDPR observou esse esforço da comunidade e decidiu que há, sim, espaço para narrativas oficiais adicionais? Talvez estejam até mesmo em conversas com alguns dos modders mais talentosos. Afinal, integrar a paixão dos fãs ao cânone oficial é uma jogada de mestre em relações públicas.

Há ainda uma teoria mais pragmática, que me parece bastante plausível. O desenvolvimento de Polaris é um projeto colossal. Equipes menores dentro do estúdio podem estar trabalhando nesse suposto DLC como um campo de testes. Testar novos designs de missão, diálogos ramificados ou até mesmo mecânicas de combate dentro do motor já estabelecido de The Witcher 3 seria menos arriscado do que experimentar tudo do zero no novo projeto. É uma forma de manter os desenvolvedores afiados e inovando, enquanto o time principal foca no futuro.
O adiamento de Polaris: mais tempo para o quê, exatamente?
Falando em futuro, a data de 2027 para Polaris é um balde de água fria, mas também um sinal de maturidade. Após o lançamento conturbado de Cyberpunk 2077, a pressão sobre a CDPR é imensa. Eles não podem errar de novo, especialmente com a joia da coroa. Dois anos adicionais de desenvolvimento podem significar a diferença entre um jogo técnico e um jogo lendário.
O que eles podem fazer com esse tempo extra? Primeiro, polir. Polir cada textura, cada animação, cada linha de diálogo. Segundo, iterar. Testar o jogo internamente, com grupos focais, e ter a coragem de refazer o que não está funcionando. Terceiro, inovar sem pressa. The Witcher 3 foi revolucionário em sua narrativa e mundo aberto. Polaris precisa encontrar sua própria revolução. Talvez na inteligência artificial dos NPCs, na profundidade das escolhas morais ou na forma como as histórias pessoais se entrelaçam com os eventos do mundo.
E o protagonista? Tudo indica que não será o Geralt. Sua história teve um final perfeito em Toussaint. Abrir mão de um personagem tão icônico é um risco enorme, mas também uma oportunidade de ouro. Permite explorar novas regiões do mundo, novas escolas de bruxos (a Lince, talvez?), e uma perspectiva completamente fresca. Será um bruxo criado pelo jogador? Um personagem pré-definido como Ciri? A ansiedade para saber é parte do que mantém a chama acesa.
Enquanto isso, a indústria não para. Competidores lançam seus próprios RPGs de mundo aberto ambiciosos. Esse adiamento coloca Polaris em uma posição interessante: ele não competirá com os lançamentos do próximo ano, mas sim com os jogos de 2027. O cenário será diferente, as expectativas também. A CDPR está, conscientemente, escolhendo seu próprio ritmo, ignorando a corrida dos lançamentos anuais. É uma postura rara e, de certa forma, admirável.
No fim das contas, essas duas notícias – um DLC inesperado e um adiamento – pintam o retrato de um estúdio em uma encruzilhada. Eles estão olhando para trás com carinho, alimentando a obra-prima que os consagrou, enquanto caminham com extrema cautela para o futuro. Para nós, jogadores, é uma montanha-russa de emoções. A frustração de esperar mais pelo novo é temperada pela doce possibilidade de revisitar o velho de uma maneira nova. E isso, por si só, já é motivo para ficar de olho em Varsóvia. O próximo comunicado oficial pode mudar tudo de novo.
Com informações do: MMORPG